Que soninho...


350km, Huelva.

Do outro lado parámos nos arredores de Huelva, para encher o depósito a preço mais “camarada”, isto depois de termos levado umas “ripadas” valentes nas portagens da SCUT. Aproveitou-se para fazer um ligeiro snack e mudar as “águas”. Estávamos dentro dos tempos, de ideias frescas e confortáveis. Tudo estava a correr bem.

Devo dizer que a opção de viajar logo de inicio de noite foi acertada. À noite o trânsito é menor e a condução requer mais atenção.

Bem, a partir daqui e até Madrid seriam auto-vias… Ou pelo menos era o que pensávamos, pois ainda de madrugada o GPS fez-nos passar pelo meio de Sevilha.
Acabou por não ser mau. Sem tráfego, a sensação de atravessar as ruas desta cidade imensa foi refrescante. E depois, mais auto-vias.

Seguíamos até Córdoba, e no escuro da noite, nada se via da paisagem. Persistia no ar um cheiro estranho e um pouco incomodativo. Comentei com o Barradas, ele achava que seria resultado de águas paradas ou estagnadas.

Paragem à saída de Córdoba, em mais uma estação de serviço espanhola. Nada a dizer, são como cá, e praticamente todas iguais.

Amanhecia e já se via o horizonte a assumir uns belíssimos tons rosados.

Atesto dos depósitos, comer uma bucha e aproveitar o bar da estação para beber um café “solo”.

Já íamos com umas 6 horas de condução, e mais de 18 horas sem ir à cama. O cansaço começava a moer. Quando regressámos à estrada não demorou muito até termos o Sol a brilhar de frente… Situação fatal. Ficamos reconfortados com aquela sensação de aquecimento e os olhos encandeados custam a abrir, e por vezes não abrem mesmo.
Eu estava mesmo a ir “abaixo”, e a fazer um esforço tremendo para manter as pestanas abertas. Tivemos de parar para meter uma lata de cafeína nos queixos.

Continuámos, mas não ia melhor… A coisa ainda não estava a fazer efeito. Passei para à frente a ver se ia mais atento.

Azar dos azares, apanhámos um troço de obras, tivemos de baixar o ritmo para uns 60 e 80 alternados… Não podia ser pior.

Lembro de por uma vez seguir à distância de um carro, de piscar os olhos e depois apanhar um valente susto ao ver que estava encostado a traseira do tipo.
Foi remédio santo, meti pisca, ultrapassei-o à pressa e fui os 10 minutos seguintes de olhos bem abertos, como uma coruja.

Aguentámos mais um bocadinho até à estação de serviço de Madridejos, já próximo da capital espanhola.