A cidade azul


Dia 02, Chefchaouen.

Finalmente, encetámos a descida de regresso ao estacionamento. Um trilho estreito a serpentear pela vegetação, a fazer com cuidado. O Mustafá seguia à nossa frente e por uma vez por pouco não foi parar lá abaixo.

sempre boas vistas

muita vegetação

região lindíssima

o nosso amigo, Mustafá

O percurso não tinha ainda chegado ao fim. Tínhamos calcorreado a margem Sul do rio, iríamos agora prosseguir pela margem Norte até às pequenas cascatas. E lá fomos, sempre junto a uma levada do rio. Cerca de 45mn depois chegávamos às cascatas que estavam concorridas. No caminho seguimos atrás de duas marroquinas e um marroquino que também procuravam as cascatas. Por lá já se encontrava à beira do rio, um grupo de três outros em amena cavaqueira. O nosso guia despachou-se a tirar a roupa e ficar de calções para mandar um valente mergulho, e nós ficámos com inveja de não poder fazer o mesmo.

água cristalina

a pequena cascata

Depois de apreciar o local e de umas quantas fotos, restava-nos fazer o caminho de regresso que me pareceu menos penoso que o de ida. Já íamos bem quentes com umas quatros horas de caminho, sempre debaixo de Sol. O Benedito era o único que não levava chapéu e protector solar, e daí resultou um belo escaldão na moina!

percurso junto a uma levada

paisagem fantástica

Regressados às motos tínhamos de acertar contas com o gentil Mustafá. Pagámos-lhe o que pediu (300 dirhans) e claro também ao “guarda” do parque (20 dirhans). Em Marrocos qualquer estacionamento tem “guarda”. São basicamente uns tipos que não fazem nenhum, que ficam nos parques o dia todo (às vezes a noite), auto-intitulam de “guardas” e no final cobram-nos um serviço que não pedimos e por vezes não queremos. Regressámos ao Caiat com o Benedito a dar boleia ao nosso amigo Mustafá. Dali seguimos directos para Chefchaouen (ou Chaouen) que já não era cedo, e ainda teríamos de procurar almoço. A entrada em Chaoun fez-se em grande, contornando a cidade mas entrando directamente pelo Souk, que é o nome que se dá aos mercados marroquinos. A passaagem por um Souk de mota deve ser semelhante à travessia da feira da ladra de Lisboa, mas em pior. É um mar de gente a divagar, são as malditas mobylettes a cruzarem-se em todos os sentidos, e os carros e furgões também a fazerem-se ao caminho por ruas pequenas de um só sentido. Eu seguia à frente com o Benedito atrás de mim, e o Barradas a fechar a “caravana”. Estava com a comunicação aberta para este último e só o ouvi a stressar… Não é fácil, deve-se progredir com calma e cuidado para não virar o boneco ou levar um marroquino de rojo. Mal sabíamos nós que ainda tínhamos muito disto pela frente. Lá conseguimos sair do Souk e encontrar o parque de estacionamento, que claro também tinha o seu “guardião”. Acordámos logo o preço, que julgo seria de 10 dirhans por mota. Logo ali fomos “assaltados” por uma série de pseudo-guias, quase todo eles ganzados… É que aqui fuma-se! Dispensámos todos e partimos à descoberta da cidade. Seguimos directamente para a praça central onde o Daniel do Caiat nos tinha recomendado dois restaurantes de qualidade. A praça é turística e convém ir de “lição estudada” para não levar o barrete. Um dos restaurantes chamava-se Dar Com, e não o encontrámos facilmente.

vista para a praça

estes restaurantes são de evitar

a praça

mais um pouco de praça

cidade pregada na encosta

este é razoável mas caro

Tivemos de perguntar a um fulano simpático de uma loja de comunicações que nos apontou o caminho. Entrámos e subimos. “Dar” significa casa, e tratava-se de facto de uma fantástica casa de vários pisos decorada no mais puro estilo marroquino. Uma coisa no género de pequeno palácio das arábias, cheio de detalhe e trabalho. Recomendaram-nos almoçar no terraço, e não nos fizemos rogados. Magnífico terraço, na mesma linha da restante casa com tecidos coloridos a fazer de tenda e a proteger os nossos frágeis couros cabeludos. A ementa era variada e típica. O Barradas foi para os “pinchos” (espetadas), eu e o Benedito para o “Couscous Royale” (uma espécie de cozido marroquino). Estava bom, ainda que um pouco curto em chicha para o Benedito, salvou-se o maravilhoso molho de mel que acompanhava.

aviados

Couscous Royale

Pediu-se a sobremesa e já seriam umas 15h30 quando terminámos o repasto. O resto da tarde estaria guardado para deambular pela cidade. Perguntámos pela direcção das nascentes (Ras El Maa) e caminhámos para lá. Pelo caminho várias fotos das ruas pintalgadas de azul que dão o nome á cidade. Diz-se que o azul afasta os mosquitos e que esse será o motivo para a sua predominância nas paredes das casas. Não sei se será mesmo assim, a verdade é que é bem bonito e que não vi mosquitos por lá.

Chaouen é pequeno mas as ruas são meio labirínticas e às tantas tivemos de perguntar a um fulano o caminho para Ras El Maa.

Fomos tirando fotos, mas há que ter cuidado. As mulheres marroquinas não gostam, nem permitem fotos, e nós respeitamos, claro.

Finalmente demos com as bonitas nascentes, um considerável ponto de encontro da cidade. Para além de turistas e locais a apreciar a paisagem, por aqui também se encontram as lavadeiras que aproveitam as águas corrente do rio para a sua roupa lavar.

Não estivemos ali muito tempo. Estávamos cansados das quatro horas de trekking pela manhã e o Sol já se ajeitava para se esconder no horizonte. Voltámos às motos para regressar ao Caiat. Pagámos a “propina” ao guarda e descemos a encosta onde se situa Chaouen. Mesmo à saída da cidade, uma paragem de emergência para o Barradas “processar” o chá que tinha bebido durante o dia… estava aflito.
Estava a ficar fresco e chegámos ao Caiat ainda com a luz do Sol. Optámos por jantar cedo no Caiat. “pinchos” para todos, que é como quem diz espetadas. Durante o jantar conhecemos outro português por ali radicado que frequentava a cozinha do Caiat sempre que possível. Estivemos ali um pouco à conversa e depois regressámos ao quarto para o sono dos justos.