Ponte de Deus a pé


Dia 02, Arkchour.

O Benedito tinha-se esquecido de desarmar o alarme do relógio de pulso, de modo que soou cerca de uma hora antes da hora que tínhamos planeado acordar. Já se sentia a luz do Sol a entrar pelas janelas do nosso quarto, e passei a hora seguinte a rebolar na cama de um lado para o outro.

a porta da esquerda era o nosso quarto

as motas à nossas espera

Banhos tomados, seguimos para a esplanada do Caiat para tomar o pequeno-almoço. Um cantinho fantástico com cadeiras e mesa de ferro em estilo marroquino, debruçado sobre o vale.

o restaurante

a esplanada

a vista do Caiat

outra habitação do Caiat

a Frida, um dos dois canitos residentes

O tempo estava promissor: por cima das nossas cabeças um céu limpo e de azul profundo. Vieram os comes e bebes, café com leite, sumo de laranja, queijo, manteiga, doce de alperce, mel, azeite e aquele delicioso pão marroquino a estalar… Ui qu'a bom…!

o pequeno-almoço servido na esplanada

Na véspera, o Daniel do Caiat, tinha aconselhado o trekking nas redondezas em detrimento da visita à vila piscatória de Oued Laou à beira do Mediterrâneo. A tarde essa, estaria reservada para visitar a cidade azul, Chefchaouen. Num instante o Daniel ligou ao guia que nos aguardaria num determinado parque de estacionamento. Terminámos o pequeno-almoço, tirámos umas fotos e seguimos de moto até ao ponto de encontro. Talvez uns dez minutos, foi o que levámos para fazer o caminho entre o Caiat e o parque de estacionamento. Por lá nos aguardava o Mustafá, um fulano novo conhecedor dos encantos da região. Falava francês, espanhol, inglês e até um pouco de português. Arrumámos o equipamento na topcase e seguimos com ele, que nos levou monte acima. Começou logo a subir bem, pelos campos fora.

sempre a subir com o nosso guia

Enquanto seguíamos por um trilho estreito, lembro-me de uma conversa rápida com uma pastora que nos queria vender umas das suas cabras. Às tantas começámos a trepar pelo meio do calhau, fizemos uma pausa para recuperar o fôlego e aproveitou-se para falar um pouco mais. Ficámos a saber que o nosso guia marroquino tinha 28 anos, era de uma aldeia ali perto e vivia da venda de algum artesanato e de acompanhar os turistas pelos belos recantos da região. Perguntei-lhe se não ambicionava fazer vida fora daqui, disse-me que sim, mas que financeiramente não tinha os meios para tal. Um tipo verdadeiramente simpático.

lindíssimas vistas da região durante o caminho

Levou-nos até ao topo do monte, para depois começar a descê-lo por um carreiro à beira do precipício. Um passo em falso e acaba por ali a viagem. Fomos descendo, e já à distância se avistava o nosso destino, a conhecida “Ponte de Deus”.

o trilho à direita é o que vamos fazer

aqui vê-se melhor

Eu já lhe conhecia a origem, mas assim mesmo perguntei ao Mustafá. Descritivamente a Ponte de Deus não é mais que uma ponte de pedra natural que une duas margens de um desfiladeiro. Existem várias lendas para a sua origem, que envolvem quase sempre um enredo "à la" Romeo e Julieta, onde supostamente Deus terá edificado a ponte para o par se encontrar. Na verdade, no passado, o desfiladeiro não existia e por ali passava um rio subterrâneo. O solo abateu em todo o lado, menos na “Ponte de Deus” e assim nasceu o desfiladeiro com a sua ponte natural.

ponte de Deus em toda a sua glória

aqui mais perto

Chegámos à ponte e tirou-se logo ali umas fotos. À beira da ponte está por lá uma barraca em argila que vende bolos e bebidas. Sentámo-nos e mandámos vir uns chás. O Benedito passou o chá e ficou-se por um bolo. O chá estava consistente e delicioso e combinava o sabor da menta com o açúcar maravilhosamente… Nada daquela água suja que nos serviram à chegada na alfândega. Terá sido provavelmente para mim o melhor, ou um dos melhores chás de menta que bebemos. O Benedito mandou logo vir um depois de provar um pouco do chá do Barradas. Estivemos ali um pouco e soube maravilhosamente.

o grupo

no relax

cházinho de menta, um dos melhores que bebemos

lá em baixo