Começando pelo ínicio...


Prelúdio.

Ora então, já tinha mentalizado que não iria escrever crónica, não porque não quisesse ou achasse que não valia a pena, mas porque enfiar um relato de 6.000kms em texto e fotos dá um trabalho do cacete e tempo é coisa que não tem sobrado ultimamente, infelizmente.
Mas aos poucos comecei a reconsiderar, e embora as memórias tivessem mais frescas logo à chegada, vamos lá fazer o raio de uma tentativa de deixar isto escrito para a posteridade!
Assim, meu caro amigo ou amiga, se sair alguma coisa de jeito não se prenda de bater palmas, caso contrário, peço desculpa pelo incómodo.

Comecemos então pelo princípio, (que é por aí que se tem de começar) e este teve inicio mais ou menos há um ano atrás…

Para ser rigoroso a ideia surgiu até há mais tempo mas só a meio do ano passado é que o amigo Rui Barradas começou a tocar os violinos: “Ah e tal… No próximo ano é que é!..”

Confesso que inicialmente tive algumas reticências sobre uma viagem até aos fundilhos da Europa Central, quase de Leste… Aquilo fica nos antípodas europeus da Lusitânia e francamente aquele ponto do globo nunca me suscitou grande curiosidade… Fui deixando a questão em lume brando, enquanto o Barradas ia amanhando um itinerário de mais ou menos 15 dias pela Itália, Eslovénia, Hungria, Eslováquia, República Checa, e Áustria.

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percurso total no mapa

Entretanto fui assimilando a ideia e próximo do fim do ano já estava assente que seria por ali que iríamos viajar em 2016!
Estávamos alinhados que para tanto quilómetro a caravana poderia ter no máximo 4 a 5 pessoas. Mas para tantos dias o problema não é a lotação, é mesmo arranjar pessoal com disponibilidade temporal e financeira… Não que isso fosse uma raleira, dois é o que basta, e juntos temos já seguramente mais de 60.000 quilómetros rodados em viagens.

Estendemos o convite às pessoas mais chegadas e que nos pareceram estarem “aptas” a nos fazer companhia, mas no final pelas razões já supracitadas não se recrutou mais ninguém.

O Rui já tinha arquitectado um percurso do seu agrado por aquele bocado do mundo. Hás tantas começou a questionar se se meteria um pulo até Auschwitz. Ficava perto, mas não nos livrávamos de ter de esticar mais um dia. Não foi difícil acordar que teríamos de por lá passar, uma oportunidade destas não se perde...
Algo de que íamos prescindir era a travessia do Sul de França, recorrendo antes ao ferry de Barcelona a Génova (e no regresso também). E estava bem assim, a Costa Francesa já a tínhamos palmilhado aquando a nossa viagem pelos Alpes.

Os meses seguintes foram passados a aprimorar este roteiro que acabou por ficar com um total de 6.000 quilómetros de estrada a percorrer em 17 dias: a maior viagem de mota à data para ambos.

Eu nisto gosto do detalhe… Gosto de saber por onde ando, gosto de passar por onde se deve, gosto de conhecer a história dos locais, gosto dos factos e até dos nomes das localidades por onde se passa. De modo que revi cada quilómetro daquele itinerário sugerindo as alterações que achava necessárias. Na verdade não foram muitas, a rota estava quase perfeita como é aliás apanágio dos percursos que o Rui planeia! Um desvio até Vintgar, uma voltinha ao Balaton, uma travessia do Baixo Tatra, uma passagem por Bystrica e Pálava, uns bons quilómetros pelo vale do Danúbio e uma visita a Hallstatt e a Hinter See.