No balcão de Ronda


Dia 2, Ronda.

Subimos para Norte em direcção a Ronda. Mas em vez de ir a direito e fazer o caminho mais curto desviámos para o Pueblo de Jimera de Libar o que nos permitiria entrar levemente na serra de Grazalema e fazer a excelente estrada cénica que segue até Ronda junto ao rio Guadiaro. Este troço é particularmente bonito em termos de paisagens, vamos pelo fundo de um vale a coberto pela esquerda de uma parede alta de rocha calcária… Já cheira a serra.

De caminho passa-se por Benaoján um pueblito simpático sem ser fenomenal. E finalmente Ronda que abordámos pela entrada Oeste… Desta vez não ficámos num hotel tão central, mesmo assim nada mal situado já que estávamos a apenas uns 8 minutos a pé do centro… Também tinha garagem, o que nos deixava mais sossegado. Check-in feito, trocámos de roupa num instante e siga para a rua. Não podíamos perder o pôr do Sol!... Da outra vez que aqui estivemos faltou-nos sorte com o clima e logo depois de chegarmos a chuva chegou e não mais nos largou. Hoje estava completamente diferente… Temperatura agradável e um Sol radioso… Despachámo-nos em alcançar a Alameda del Tajo, o magnífico passeio pedonal ajardinado que faz também de miradouro na margem Oeste da famosa ponte nova…

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E se há momentos ditos perfeitos que nos marcam de forma absolutamente inesquecíveis, para mim este é um deles… O cair do Sol num dia quente a partir do balcão de Ronda é para mim um dos mais bonitos (se não o mais bonito) que me foi dado a ver. Correndo o risco de não conseguir passar satisfatoriamente o sentimento que fica, aqueles 30 minutos de luz calorosa que iluminam em cores de ouro todo a cidade e penhasco são sublimes e reconfortantes. A temperatura agradável ajuda à experiência e o Sol a desaparecer lentamente à nossa frente por detrás das colinas vai fazendo cambiar as tonalidades do céu de um azul profundo a um laranja arroxeado fabuloso. É nesta altura que o miradouro se vai enchendo de pessoas para apreciar este espectáculo fabuloso... Para quem não conhece, recomendo vivamente esta experiência única, pelo menos uma vez na vida… Ficam algumas fotos que mesmo sendo muito agradáveis não fazem jus à beleza do momento.

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Já com a alma quente, fomos tratar de reconfortar também o estômago… Da última vez que aqui estivemos e dado que estava de chuva, optámos por um agradável jantar típico no próprio Hotel… Hoje estava bom para almoçar na rua, de maneira que depois de dar uma voltinha pelos spots principais, fomos até à praça principal.

O "balcão" de Ronda ou penhasco com uma altura de mais de 100 metros.

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As piteiras dão se bem por aqui.

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A praça de touros da "Real Maestranza de Caballería de Ronda" cuja construção data de 1785.

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A famosa ponte.

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Casitas à beira do precipício.

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Optámos por mandar vir umas tapas e apreciar todo aquele movimento à nossa volta. Os espanhóis gostam de viver na rua, isso já se sabe e aqui não é diferente. Excepto talvez o facto de aqui se ver muito turista. Ronda é uma cidade histórica que foi popularizada por várias personalidades das artes que se apaixonaram por ela, como Orson Welles (cujas cinzas se encontram aqui depositadas), Ernest Hemingway (que tem uma rua com o seu nome) ou o poeta Rainer Rilke. Como tal assumiu uma dimensão internacional no turismo e é fácil ouvir-se por aqui um inglês falado em perfeito sotaque americano… Mesmo assim creio que a cidade não perdeu nada da sua genuinidade. Continua a ser uma cidade tradicional, fortemente ligada à tauromaquia (tem uma das praças de touros monumental das mais antigas) onde ainda é fácil ver aquelas velhotas espanholas de penteados armados com laca e vestidos com padrões clássicos sentadas nos bancos da praça a refrescarem-se com um gelado.

Depois do jantar seguimos tranquilamente até ao hotel passando pela "calle Espinel", uma rua pedonal onde há sempre muito movimento. Serve de artéria comercial da cidade onde se concentram a maior parte das lojas e atravessa grande parte do centro da cidade… Eu não resisti e ainda fui ali comer um gelado antes de regressarmos ao hotel.

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O quarto de hotel que nos tinha sido destinado ficava no topo, o que o tornava quente sendo necessário recorrer ao ar condicionado para conseguirmos ter ali um ambiente confortável. A vantagem é que tínhamos acesso à cobertura do prédio e assim deixar o equipamento a arejar… Umas fotos no facebook, um bocadinho de conversa com os de casa e vamos ao descanso.