Até à Fronteira


Dia 1, Lisboa

5 e um quarto de Quinta-feira de manhã e já estava com a Tiger na rua carregada… Meia-hora chegava para ir de casa à estação do Fogueteiro, onde me aguardava o Barradas… Ena, vou cumprir o horário!... Liguei a Tiger, sentei-me de cima, engato, e primeira e aí vamos nós… Levanto o pé para a segunda… Levanto o pé para meter a segunda… Levanto o pé para engatar a segunda mudança… Nada, não havia segunda… Irra!... Estava o selector de mudança puxado para cima, não conseguia engatar qualquer mudança a não ser a primeira. Andei a limpar o pinhão de ataque no fim-de-semana passado e claro, o reajuste do selector de mudanças a olho só podia dar asneira!

Puxei de uma chave de bocas, e dei-lhe um jeito. Um centímetro foi o que bastou para conseguir de novo operar a caixa… Ena, já não vou cumprir horário…

Com cerca de 10 minutos de atraso, ainda era de noite quando cheguei à estação de serviço onde já se encontrava o Barradas. Ainda acertei a pressão dos pneus, e metemo-nos a caminho. Estava um frio do caneco, e o Sol começava a espreitar timidamente no horizonte. Seguimos A2 abaixo até Grândola, e por uma ou duas vezes foi me dando o sono, nada de preocupante, mas o suficiente para não ir confortável. Finalmente saída para nacional, e a coisa melhorou, num ritmo menos monótono e cenário mais interessante!

Parámos numa aldeia assim que vimos o letreiro do multibanco. O Barradas precisava de dinheiro, e também já se bebia qualquer coisa para aquecer a garganta. Dar com o multibanco não foi fácil, mas lá conseguimos. Já café não havia, metemo-nos outra vez à estrada.

Encostámos logo depois em Beringel num tasco à beira da nacional. Um galão para cada um e umas palavras simpáticas trocadas com o dono do café. Já de saída cruzámos com um velhote castiço. Quando digo castiço, não lhes estou a fazer justiça, o homem era o supra-sumo da castiçe, o verdadeiro Don Juan da terra! Um modernaço que se fazia deslocar numa lambreta eléctrica. Com um casaco de flanela aos quadrados envergava uns fabulosos óculos da moda, provavelmente um brinde de uma revista da moda qualquer. Ao pescoço uma corrente com uma série de penduricalhos, em pchibeque certamente, mas nem por isso sem estilo. Com uma boa disposição que só se encontra nestas terras, encetou logo conversa connosco, sobre motas claro. Dizia ele que a motoreta que tinha só dava para andar por ali, mas que era económica. Apontando para as Tigers disse-nos que também já tinha tido motas dessas em Lisboa, 125 ou assim. Uma simpatia que deixa qualquer um bem disposto! Despedimo-nos e seguimos caminho para mais uns quilómetros de estrada.

O Sol estava a erguer-se, a estrada era boa, e foi com excelente disposição que saímos de Portugal por Rosal de La Frontera. Abastecemos a cerca de menos 0.20€ o litro e seguimos em direcção a Aracena.