Até La Frontera


Dia 1, Arcos de La Frontera

Para baixo notava-se muito trânsito no sentido contrário. Estávamos na dúvida se por aqui também seria feriado de Todos os Santos, e era.

Para além disso, nesta altura os espanhóis da zona entretêm-se em passeatas pela Sierra de Aracena a apanhar castanha que por aqui é aos milhões. Não estou a exagerar, apercebemo-nos disso porque as bermas estão cobertas de castanhas largadas pelos castanheiros junto à estrada.

O tempo estava bom, o ritmo também, e por este andar ainda íamos almoçar a Arcos de La Frontera, o nosso destino.

Teria dado, o pessoal aqui pensa no almoço depois das 14h00, mas na verdade optámos por parar num Assador à beira da estrada.

Não se comeu mal. Mandámos vir uma “ensalada” e uns lombinhos de porco saborosos e bem aviados. A batata é que estava banhada em óleo como é costume, mas nada de preocupante.

Terminou-se com um café solo e ficámos enfartados. Seguimos para a estrada, já pouco faltava para chegar aos Pueblos Blancos.

Antes de seguir, algum contexto: os Pueblos Blancos resumem-se a uma vintena de aldeias e cidades localizadas na sua maioria no Parque Natural da Serra de Grazalema, situada no Norte das Províncias de Cádiz e Málaga. Estes pequenos aglomerados populacionais caracterizam-se pela sua traça inspirada nas Medinas Árabes. São formados por pequenas casas brancas com telha castanha, amontoadas em encostas ou enfiadas em vales. Estes Pueblos isolados na Sierra, nascem durante a reconquista espanhola da Andaluzia aos Árabes. Nessa altura os mouros são perseguidos e alguns refugiam-se na serra para não regressar a África. Formam então estas aldeias e vilas seguindo o modelo da Medina. E assim, se mantiveram estes locais até hoje em dia, fantasticamente preservados.

Bom, e nós saímos da nacional, e dirigimo-nos para Villamartín, um dos Pueblos limítrofes a Norte. Apareceram as primeiras planícies que nesta altura estão “carecas”. Aqui cultiva-se muito girassol, quando digo muito é mesmo muito. Hectares e hectares de cultura de girassol.

Chegámos a Villamartín, que não é nada de especial diga-se de passagem. Claramente um dos Pueblos menos interessantes. Ainda nos perdemos na saída por uma indicação errada do GPS.

Fizemos meia-volta, e seguimos para Bornos, outro Pueblo ali pertinho.

Bornos também não é particularmente bonito, mas tem uma característica interessante, uma albufeira mesmo defronte, com vista para a serra.

Depois de nos enganarmo-nos à saída de Villamartín, fizemos o mesmo à entrada de Bornos. Mas tudo bem, estamos com tempo e estamos de férias!

Atravessámos o Pueblo e fomos até à beira da albufeira e havia por lá muita juventude.

Estacionámos as Tiger e fomos tirar umas fotos bem bonitas.

Não nos demorámos e saímos dali para Arcos, o nosso destino logo mais à frente.

Arcos de La Frontera é um Pueblo importante e a sua dimensão já lhe confere estatuto de cidade. Está impressionantemente localizado num penhasco e é o local perfeito para se ficar e para ter uma primeira abordagem. A cidade é um excelente postal, e possuí uma série de características típicas que resumem bem o que é o espírito Andaluz.

Entrámos pelo Norte da cidade e encontrámos logo o hotel, bem situado e totalmente enquadrado com a imagem da cidade. Estacionámos ali perto as Tigers e fomos tratar do check-in.

Acertámos com o rapaz na recepção, um tipo jovem muito simpático e decidimos deixar as motas no parque de estacionamento coberto ali próximo.

Malas descarregadas, motas arrumadas, roupa trocada e saímos à rua para desfrutar o espectacular fim de dia na cidade. Mas ainda antes de sair, numa pequena conversa com o recepcionista ficamos a saber que este edifício foi construído em 1834 de raiz com a finalidade de hotel, sendo o mais antigo da Andaluzia e, segundo o nosso amigo, o mais antigo de Espanha. Terá também funcionado como casino durante algum tempo, mantendo até aos dias de hoje grande parte da sua estrutura e decoração.