A estucha

September 18th, 2013

Dia 1.

Tínhamos decidido passar a fronteira por Saucelle (mais a Norte), em vez de sair por Vilar Formoso. Isso permitir ia-nos fazer duas coisas - atravessar o Douro por Barca Dalva (magnífico local), e fazer parte da fantásticas curvas da N221 que às tantas ladeia o Douro a Norte a partir de Barca Dalva. Quem não conhece essa estrada (troço Escalhão-Freixo de Espada à Cinta), tem de lá ir, vale a viagem.
Fizemos a N221 até Barca descontraídos a curtir a estrada e paisagem.
Ainda antes de atravessar o Douro decidimos fazer uma paragem no que resta da antiga estação internacional da linha do Douro.

Em tempos idos, este lugar acolheu muita gente, era por aqui que se entrava e saía de Portugal. Hoje pouco resta, o edifício foi murado, os hangares estão podres, e grande parte dos carris da linha foram roubados.

Atravessámos o Douro e continuamos pela N221. Mais a diante seguimos pela barragem de Saucelle e subimos até ao miradouro que nos dá uma vista privilegiada do Douro e das suas margens.

**vista do miradouro de saucelle

Depois foi seguir pela nacional até Salamanca, atravessando a paisagem rural que aqui predomina. Muito gado nesta região, algum pelo caminho.

Em Salamanca entrámos pela Autovia de Castilha, felizmente bom piso e de borla. Aí nos mantivemos até Burgos onde termina. Qualquer coisa como 250kms feitos.
Daqui seguimos por nacional, o que soube bem. Passámos Logroño e continuámos em direcção a Pamplona. A paisagem por aqui é interessante e a estrada agradável de fazer (rápida, bom traçado e bom piso).
Num abastecimento encontrámos dois companheiros entradotes, cada um na sua Moto Guzzi. Achámos que seriam italianos, mas não, eram alemães. Andavam numa volta um pouco ao acaso.
Estivemos ali uns minutos a falar. Explicámos-lhes para onde íamos, e eles de onde vinham. Tinham andado nos Picos, mas com pouco sorte, só apanharam chuva... E nós a ver vamos o que nos calha lá para a cordilheira onde vamos.
Depois acabámos por seguir todos juntos. As Tigras à frente... Às tantas o mais experiente deles ultrapassa-nos, o tipo andava solto, sem grande preocupação dos limites de velocidade.
O colega deles ficou no fim da caravana. Seguimos assim uns quilómetros, até que deixámos de ver o alemão que seguia atrás. Rodei o acelerador para alcançar o que seguia à frente, para avisá-lo, o tipo não parecia muito preocupado, ia a curtir a mota e o cenário.
Acabámos por parar todos. O Barradas avisou-o que o companheiro tinha ficado para trás, o tipo respondeu que provavelmente tinha parado para uma foto. E nisto seguimos, deixando o alemão à espera do outro.
Não esperou muito, depois de arrancar logo avistei o farol da mota no fundo da estrada. A partir daqui distanciamo-nos dos dois e seguimos o nosso caminho até Pamplona, que alcançámos pelas 20h00 já ao cair do dia.

Reservámos um hotel no limite da cidade, fora da confusão. Tinha garagem para as motas e o preço era bom. Pamplona não estava no nossos planos de visita, seria apenas um ponto de paragem para alcançar o nosso propósito, os Pirenéus.
O hotel tinha boa pinta, e chegámos lá contornando a cidade, o que acabou por ser cómodo. Depois de instalados, saímos à rua à procura de jantar. Para surpresa nossa, o movimento era nulo. Ninguém na rua e quase tudo fechado.
Ou é do bairro, ou então o pessoal aqui rege-se por outras regras. 21h00 nalguns lugares de Espanha é precisamente quando começa a fiesta. Demos uma volta rápida, e o melhor que arranjámos foi um restaurante chino!
Um restaurante chinês típico, mesmo ao lado do hotel, bastante amplo... Lugar para mais de 50 pessoas, e só lá estávamos nós dois Smile

Mandámos vir umas misturas daquelas, como temos por cá. Estava tudo bom e em conta... Bom, pelo menos hoje com fome não ficámos.

**os guardanapos faziam um efeito esquisito

Depois regressámos ao hotel, que já refrescava na rua. 30 minutos de net, actualizar facebook, consultar o tempo e de seguida estávamos a preparar-nos para dormir.

Amanhã vem o que interessa, Pirenéus…