Uma festa e um Cristo

September 18th, 2013

Dia 1.

A aventura começou efectivamente de véspera - passo a explicar. A data de partida estava definida para dia 8, o Rui estava de férias no Norte e só regressaria no sábado dia 7.
Para dia 8, tínhamos pela frente uns ambiciosos 900kms até Pamplona. Uma boa estucha. mas nada de incomportável, já fizemos bem pior num só dia (Lisboa-Lérida, uns 1000 e picos).
A nossa localização geográfica assim o obriga, sempre que queremos viajar pela europa, temos de "gramar" Espanha em toda a sua longitude.
Dado que seriamos apenas os dois a viajar, avancei com a hipótese de partirmos a distância a "meio" com uma dormida em casa de família ali para a bonita região do Alto Douro.
Assim, saindo ainda no Sábado ao fim da tarde, dormiríamos já próximo da fronteira, cabendo depois o resto do trajecto até Pamplona para o Domingo.
O Rui só teria de fazer a viagem para baixo de carro e depois para cima de mota Smile
Assim foi, pelas 16h e tal, encontrávamo-nos em Lisboa para fazer a A1 até Torres Novas e daí a A23 até à Guarda.
Tigers atestadas com rodados na pressão correcta e siga para Norte.
Fizemos a A1 com um vento do caneco, sempre a levar lambadas no capacete. Quando mudámos o rumo para Este, já na A23, a coisa ficou melhor.

**aqui durante um abastecimento na A23 na estação de abrantes

Como estávamos com tempo, tentámos reduzir a absurda conta que é fazer a A23 de uma ponta à outra (cerca de 16,75€).
Saímos para o IP2 depois do Fratel, e voltámos a entrar em Benquerenças. Finalmente, depois de passar o Fundão, cortámos para a N18 e daí seguimos até à Guarda.
É uma estrada que se faz bem quando se vai com vagar, passando por algumas localidades interessantes como Belmonte.
Ao todo devemos ter poupado uns 6€ e gasto mais 35 minutos, o que é mais que razoável.
Na Guarda, abastecemos mais uma vez, e daí seguimos em direcção a Figueira de Castelo Rodrigo. Tinha ali um percurso por Pinhel que achava eu nos evitaria um pórtico da A25, mas por qualquer razão o meu navegador de serviço achou que o melhor era mesmo passar pelo pórtico… Assim acabámos por fazer o caminho mais rápido, que é passando pela bonita vila de Almeida. Infelizmente hoje não havia tempo para visitas e passámos por Almeida com o Sol já a pôr-se.
Finalmente Figueira de Castelo Rodrigo. Dali até casa são mais cinco minutos. Seriam umas 20h45 quando chegávamos à aldeia (Vilar de Amargo) onde iriamos dormir.
Já estava o jantar à nossa espera. Estacionámos as Tiger à porta e fomos ao garfo! Aqui a ementa é sempre petisco - enchidos, queijos, caldeidaradas, feijoadas, mariscadas, cabrito, coelho, javali, bacalhau, eu sei lá... Cada vez que venho aqui vou para baixo com mais dois quilos.
Hoje esperava-nos uma bola de carne da região, um bacalhau assado na brasa à moda do chefe, seguido de uma deliciosa carne assada... Tudo isto claro regado com pinga da região, que é coisa para a qual não desperto, uma vez que não toco no tinto... A minha cena é mais "bolos", e felizmente para acabar, o clímax, uma fantástica tijelada típica, daquelas feitas mesmo com ovos de galinhas poedeiras!...
Quando entrámos na aldeia reparámos que estava o arraial montado na praça da torre do relógio... Para nossa sorte ou azar era dia de festa, da Nossa Senhora dos Remédios.
Aviados e cansados, dispensámos o baile, até porque da minha parte tenho dois pés esquerdos e cada vez que vejo uma concertina sobe por mim acima uma fúria capaz de me fazer enrolar o dito instrumento à volta do pescoço do músico. Com a festa na aldeia, não iria ser fácil reclamar o devido descanso. Ainda tentei deixar-me levar pelo cansaço e fechar os olhos naturalmente, mas o baterista da banda parecia estar em esforço, o que me obrigou a enfiar uns belos tampões nos ouvidos. Só voltei a acordar com os morteiros, dois grandes balázios capazes de acordar os falecidos no cemitério. Depois foi o descanso até de manhã. O Barradas vinha estourado de tanta estrada e dormiu que nem uma pedra, não houve artista ou instrumento que o incomodasse.
De manhã lá estávamos a postos para seguir viagem, coisa que fizemos depois de tomar o pequeno-almoço e despedidas. Soube bem fazer aqui uma paragem, pela recepção e pelo jeito que nos deu.
Como íamos com tempo, levei o Barradas até ao topo da Marofa, ficava de caminho e ele não conhecia.

**tigras na Marofa

O fogo andou por lá, e chegou à estrada.

Parte de uma encosta estava negra, mas lá em cima o encanto da vista com o Cristo Rei continua intacto.

**Cristo Rei da Marofa contemplando Castelo Rodrigo.

Daqui avista-se Castelo Rodrigo, a vila muralhada e seu castelo no topo do monte. Logo de seguida a Figueira de Castelo Rodrigo aos pés da encosta.

Não será preciso mais descrições, creio que as fotos falam por si.

**antenas da marofa