Uma sopa dos pobres, se faz favor


Dia 2.

Acordámos, rotina da manhã e arrumar malas. Tínhamos decidido tomar o pequeno-almoço pelo caminho. Hotel pago, motas carregadas, siga o caminho.

**já preparados para seguir viagem.

Saímos de Pamplona por fora, como entrámos, evitando o centro da cidade.

O tempo estava inconstante com o céu a alternar entre o azul e cinzento.

Seguimos pela Autovia del Priineo, até próximo de Sanguesa, aí saímos para a nacional para abastecer numa estação de serviço. Em Portugal estamos mal habituados, com estações de serviço à beirinha da estrada de um lado e do outro, se faz favor. Os nossos “hermanos” têm o hábito de racionar os postos de abastecimento. Apenas um único para os dois sentidos e por vezes esse dá serventia a várias vias. Quem precisar que dê as voltas para lá chegar.

Este por acaso até estava um pouco mal enjorcado. Enfiado numa rotunda entrava-se por um lado, saia-se pelo outro, mas sem nos livrarmos de dar ali umas voltas.
Aproveitámos para tomar ali o pequeno-almoço, na cafetaria de um hotel mesmo ao lado.
Estava fresquinho e talvez isso justificasse as poderosas sandes que os espanhóis mandavam abaixo logo às 10h da manhã… Acompanhadas claro, com tinto e cerveja… Aqui trabalha-se, pensei eu.

Para nós, um café com leche e uma napolitana bem grande para cada um, e está feito.

Como queríamos fazer a nacional que circunda a albufeira de Yesa, achámos que já não precisaríamos regressar à autovia e podíamos seguir logo por ali… Pressuposto errado. Dali a estrada segue pela margem Este à distância. O que pretendíamos era precisamente o contrário, rodar a Oeste e próximo da água. Depois de dois ou três quilómetros, mudamos o sentido e regressámos à autovia seguindo o itinerário marcado pelo GPS.

Finalmente uns quilómetros adiante saímos da via rápida. Logo ali tive de fazer uma paragem para ajeitar o material cinematográfico, parece que ia torto segundo o Barradas, e ia mesmo. Nesse momento passou um grupo de franceses por nós, uma multistrada e umas BMs entre outras… Nenhuma inglesa.

Continuámos, mas não por muito tempo. Estrada cortada devido a obras… Ora bolas!... A passagem pelo lago começava a ficar comprometida. Disseram-nos para regressar à autovia e sair na próxima, uns 5kms adiante… Não nos livramos desta bendita via rápida… Assim fizemos, ainda apanhámos um pouco do lago, mas manifestamente um troço muito curto. Para trás tinham ficado talvez uns 8kms de estrada mais interessante.

Passámos por Jaca, sem lá parar e daí seguimos ao lado da autovia até Sabinanigo. Demos uma volta por ali e parámos para o Rui conseguir levantar dinheiro numa caixa. As Tiger ficaram meio arrumadas à beira da estrada e logo dois velhotes espanhóis bem dispostos se aproximaram. Queriam conversa… Um deles dizia que já tinha sido motard. Eram simpáticos, perguntaram-nos por onde íamos, e que andava por ali a prova da Vuelta. Não nos alongamos muito, seguimos rumando para Norte.

Circundámos a albufeira de Búbal que não levava muita água, e logo depois já próximos da fronteira o trânsito abrandava. Ficámos com receio, já tínhamos avistado os placards electrónicos a avisar de estrada cortada por causa de prova ciclística…

Afinal seria só uma operação de fiscalização da guardia-civil. Passámos sem chatices e em breve estávamos a chegar ao nosso primeiro Col (ou pico), o do Pourtalet (1794m) que marca também a fronteira entre Espanha e França.

O tempo estava fantástico, céu azul com algumas nuvens clarinhas.

Parámos as motos para tirar umas fotos e apreciar o cenário.

Muito movimento, apesar de ser época baixa (aqui tudo funciona em plenitude nos meses de frio).

Umas quantas casas de negócio a funcionar, café, restaurante, bazar, roupas e souvenirs. Algum pessoal a curtir o Sol na esplanada.

Estávamos finalmente nos Pirenéus, mas propriamente do lado gaulês.

Logo que passámos o Pourtalet estenderam-se à nossa frente aquelas enormes encostas e vales verdejantes, um verde vivo e autêntico que parece que não se esgota. A humidade aqui está presente o ano inteiro e será provavelmente a isso que se deve este tapete magnífico.

E nisto estavam horas de almoço, que aqui não se come tarde.

Parámos na primeira localidade que nos apareceu (Gabas), num restaurante à saída da mesma.